terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Biografia dos Principais autores do Realismo, Naturalismo e Parnasianismo

“(...) A moça deixou atrás de si, pelo chão, um grosso rastro de sangue, que lhe escorria debaixo das saias, tingindo-lhe os pés. E, no lugar da queda, ficou no assoalho uma enorme poça vermelha.” O Mulato

Artur Azevedo- Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (1855-1908), irmão mais velho de Aluísio de Azevedo, foi contista, jornalista, tradutor, crítico e, principalmente, teatrólogo. Autor de mais de 70 peças de teatro, pode junto com Martins Pena ser considerado um dos criadores da dramaturgia nacional. Sua obra era afinada com o gosto popular, e continham, assim como sua poesia e seus contos, elementos cômicos. Artur Azevedo teve vários empregos burocráticos (como muitos escritores do século XIX) enquanto escrevia. Azevedo também é o provável autor da primeira crítica de cinema nacional.

Raul Pompéia- Raul D’Ávila Pompéia teve uma infância rica e reclusa. Seus pais eram donos de uma fazenda de cana-de-açúcar e o mandaram para um internato com 10 anos, em 1863. Lá recebeu influências para escrever O Ateneu e escreveu seu primeiro livro, antes dos 15 anos, muito aclamado pela crítica da época, especialmente por ser o autor tão jovem. Mais tarde estudou num Externato e foi estudar Direito, colaborando também com jornais e revistas. Era abolicionista e republicano. Muito sensível, este professor, político, jornalista, escritor e polemista se suicidou em 1895. Foi um escritor que não se pode enquadrar em único estilo, tendo influências naturalistas, realistas, expressionistas e impressionistas. Sua obra de maior importância é O Ateneu, que tem algum caráter autobiográfico. Nas passagens a seguir, note a linguagem rebuscada que o autor usa.
 “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” O Ateneu

Inglês de Sousa- Herculano Marcos Inglês de Sousa (1853-1918), romancista e contista paraense, foi uma das principais figuras do Naturalismo no Brasil. Influenciado pelo francês Émile Zola e pelo português Eça de Queirós, a obra de Inglês de Sousa tem grandes qualidades estilísticas, descritivas e narrativas, sendo um dos regionalistas de mais destaque do século XIX, descrevendo com romances como O Missionário os costumes da região amazônica. Pertencente à ABL redigiu seus estatutos internos. Inglês de Sousa é vítima de um mal que afeta muitos naturalistas: sua técnica um tanto pomposa e artificial é de certa monotonia.

Domingos Olímpio- Nascido em Sobral, Ceará, a 18 de setembro de 1850, o escritor naturalista Domingos Olímpio Braga Cavalcanti foi um dos poucos e um dos últimos de sua escola. Em 1873 tornou-se bacharel em Direito em Recife voltou ao Ceará para exercer o jornalismo como abolicionista e republicano; casou-se dois anos depois, quando também foi escolhido promotor público. Quatro anos depois, forçado pela situação política (era político de oposição) mudou-se para o Pará. Em 1891 muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce o jornalismo e a advocacia. Viúvo casa-se novamente no ano seguinte. Em 1903 publica sua principal obra, Luzia-Homem, e passa a escrever sob o pseudônimo de "Pojucan" na recém-fundada Os Anais. Em 06 de outubro de 1906, falece.
“Sob os músculos poderosos de Luzia-Homem estava a mulher tímida e frágil, afogada no sofrimento que não transbordava em pranto, e só irradiava , em chispas fulvas, nos grandes olhos de luminosa treva.” Luzia-Homem

Coelho Neto - Henrique Maximiliano Coelho Neto (1864-1934) foi em sua época o que hoje é Paulo Coelho em termos de Literatura Brasileira: um escritor de grande apelo popular, prolífico e de baixa qualidade. Deputado, o "príncipe dos prosadores brasileiros" (como foi eleito em 1928) escrevia freneticamente não apenas romances e contos, mas também artigos para jornais brasileiros e estrangeiros.

Olavo Bilac- Jornalista, Olavo Brás dos Martins de Oliveira Bilac nasceu a 16 de dezembro de 1865 e morreu em 28 de dezembro de 1918. Principiou estudos de Medicina e Direito, mas abandonou ambos para se dedicar a Literatura. Foi preso durante a Revolta da Armada por Floriano Peixoto, tendo participado de campanhas cívicas, mas trabalhando muito pouco em seus empregos públicos. Pertenceu à ABL, tendo sido o principal poeta parnasiano. Sua poesia por vezes se afastava do ideal parnasiano, mas escreveu muitas poesias tecnicamente impecáveis. Considerado um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, observe na passagem abaixo o ideal parnasiano que ele e os outros poetas a seguir buscavam.


 “Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:”

Alberto de Oliveira- Antônio Mariano Alberto de Oliveira (1859-1937) cursou Medicina e formou-se em farmácia; o mais parnasiano dos poetas começou com poesia romântica. Foi funcionário público e professor o Príncipe dos Poetas, membro fundador da ABL. Sua poesia era altamente descritiva e de grande cuidado na forma:

 “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.”
Por:Luciana Melo,Lizandra e Stefani Serra

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